O Número da Besta: Muitas religiões dependem muito do simbolismo dos números e usam métodos numéricos especiais para descobrir ou ocultar segredos. Nos primeiros anos do cristianismo, os romanos estavam usando como talismã o quadrado mágico do Sol.
O quadrado mágico do Sol foi um dos símbolos mais importantes utilizados para representar o Sol na antiguidade por causa de todo o simbolismo que envolvia o número perfeito $6$. Há $6$ lados num cubo, a soma ou multiplicação dos número $1$, $2$, $3$ resulta em $6$ e a soma de todos os número de $1$ a $36$, dispostos em $6$ linhas por $6$ colunas, resulta em $666$. O quadrado é mágico porque as linhas, colunas e diagonais somam sempre $111$. Após a Igreja dominar o Império Romano, quem possuísse o diagrama poderia ser queimado na fogueira, já que no cristianismo o número $666$ é O Número da Besta!
Não aos Negativos: Na Europa durante a Renascença, os números negativos não eram reconhecidos. Soluções para problemas matemáticos que incluíam números negativos muitas vezes eram descartadas. Apesar dos antigos matemáticos chineses e indianos terem explicado o uso dos números negativos, geralmente relacionando-os com débitos econômicos, os matemáticos na Europa lutavam contra eles. Por exemplo, o matemático alemão Michael Stifel $(1487-1567)$ chamou de "números absurdos" os números menores do que zero. O matemático francês Albert Girard $(1595-1632)$ provavelmente foi o primeiro acadêmico importante a aceitar totalmente os números negativos em soluções, mas só no início do século $XIX$ que houve um fundamento adequado para a aritmética com números negativos.
"É controvertida a questão dos números irracionais existirem ou não. Porque ao estudar as figuras geométricas, onde os números irracionais nos abandonam, os números irracionais ocupam seu lugar e mostram precisamente o que os números racionais são incapazes de mostrar... somos motivados e obrigados a admitir que eles estão corretos ..."
Michael Stifel
Dígitos Perigosos: O número $666$ não é o único número específico a ser demonizado. Na China é ilegal usar a data do massacre da Praça Tiananmen (Praça da Paz Celestial), $8964$, referenciando o dia $4$ de Junho de $1898$, como senha ou número $PIN$, ou em qualquer outra forma que possa veicular esse número com o evento. Somente é aceito como próximo número na sequencia natural de contagem. Assistam a este vídeo e a este também.
Nos EUA, há um número hexadecimal de $32$ dígitos que adquiriu o status de número ilegal. Ele é a chave para a codificação de DVDs de alta definição e sua publicação é tecnicamente ilegal, pois o uso dessa chave com o mecanismo apropriado tornaria possível decodificar os DVDs. O AACS (Advanced Access Content System) declara que ele é um copyright circumvention device (uma espécie de dispositivo de proteção de direitos autorais) e a posse de um copyright circumvention device é uma transgressão à Digital Millenium Copyright Act. No entanto, pouco tempo após ele ser revelado, o número secreto foi publicado em $300.000$ web sites e as tentativas de removê-lo do domínio público foram totalmente inúteis. O número é este:
F9 09 11 02 9D 74 5B E3 D8 41 56 C5 63 56 88 C0
A AACS declara possuir muitos outros números usados para encriptação, mas não dirá o que eles são, claro!
O Número Zero: O pensamento dos antigos gregos era geométrico o bastante para que pudessem desenvolver uma aritmética onde figurasse o número zero. Pois como mensurar uma forma de tamanho zero?
O Número Zero: O pensamento dos antigos gregos era geométrico o bastante para que pudessem desenvolver uma aritmética onde figurasse o número zero. Pois como mensurar uma forma de tamanho zero?
Em grande parte, a influência de Aristóteles e seus discípulos, representava uma visão de mundo que via os planetas e estrelas como inseridos em uma série de esferas celestes concêntricas de extensão finita. Essas esferas, todas centradas na Terra, estariam preenchidas com uma substância etérea, e postas em movimento por um "motor imóvel". A filosofia cristã, viu no motor imóvel uma identidade de Deus, e uma vez que não havia lugar para um vazio nesta cosmologia, seguia-se a ideia de que tudo que fosse associado ao vazio era um conceito que negava também a existência de Deus.
Por volta de $628d.C.$, Brahmagupta foi o primeiro matemático a tratar os números como quantidades puramente abstratas. Isso o permitiu transcender o pensamento geométrico e entrar no mundo dos números negativos. Com as ideias de Copérnico, revelando que a Terra se move em torno do Sol, lentamente a matemática europeia começou a livrar-se dos grilhões da cosmologia aristotélica.
O sistema cartesiano de René Descartes unificou a álgebra e a geometria colocando o zero como coração imóvel de seu sistema. O zero estava longe de ser irrelevante para a geometria, como os gregos haviam sugerido. Agora era essencial para ela.
Mais tarde o cálculo mostrou, pela primeira vez, como o zero estava próximo do infinitamente pequeno e como tudo no cosmos poderia mudar sua posição.
Referências:
[1] A História da Matemática - Anne Rooney
Veja mais:
O Problema dos Quadrados Mágicos
O Quadrado Mágico da Besta no blog Fatos Matemáticos
Zero: O Número que Tentaram Proibir no blog Infravermelho
Quadrado Mágico de Ordem Ímpar - Parte 1, 2, 3 e 4 no blog Matemágicas e Números
